O que mudou? Eu? Tu?
Nós? Também me sinto presa a alguma coisa que não sei explicar, que me deixa
parada, na frieza também. O que será que aconteceu? Mas ainda quero minha chama
de volta, os carinhos, as conversas depois do sexo. Sei que é possível trazer
isso de volta e vou tentar.Criações artísticas e ficcionais do Nico Moreira. Textos, crônicas, roteiros, ensaios, fotografias etc
terça-feira, maio 26, 2015
INSÔNICRAS # 1243 “ATÉ QUE OS CANUDOS SE SEPAREM!”
O que mudou? Eu? Tu?
Nós? Também me sinto presa a alguma coisa que não sei explicar, que me deixa
parada, na frieza também. O que será que aconteceu? Mas ainda quero minha chama
de volta, os carinhos, as conversas depois do sexo. Sei que é possível trazer
isso de volta e vou tentar.INSÔNICRAS # 1234 UMA MÚSICA
Que eu quero só você
Eu quero só você
Eu quero só você..”
INSÔNICRAS # 325 ELE EXISTE?
segunda-feira, julho 30, 2012
SONHAR, O GRANDE DESAFIO!
Quando a Ciência envereda por caminhos nada objetivos e formais.
Por António A. B. Moreira. http://www.antonioabmoreira.com.br
SUCE$$J !
segunda-feira, maio 17, 2010
Vamos comer Fugu?
A Confraria Gourmet, Amigos da Mesa estava completando um ano de existência. Foi no último verão que os doze amigos se mobilizaram pelo entusiasmo do Geraldo e resolveram formalizar uma Confraria Gourmet para dar continuidade aos encontros gastronômicos de todos os verões em Guaratuba. A mobilização entusiasta da diretoria levou todos a freqüentarem os cursos no Espaço Gourmet Gastronomia para que uma vez por mês fizessem seus encontros gastronômicos com muito estilo e requinte. As domas foram cuidadosamente escolhidas, os menus eram discutidos e selecionados para proporcionar a maior satisfação e prazer, desde a compra dos ingredientes no mercado municipal, passando pela cozinha com o afiar das facas, continuando pelo mise en place correto e limpo, a elaboração com a técnica recomendada e finalizando com o prazer de saborear os pratos acompanhados com vinhos escolhidos para harmonizar e realçar os diversos sabores dos pratos. Como não podia deixar de ser, para quem gostava, havia café, conhaque e os charutos no final.
Portanto não seria de estranhar que Geraldo, que foi escolhido o primeiro presidente por unanimidade, e não poderia ser diferente, estava empenhado que o cardápio do almoço comemorando o primeiro aniversário da Confraria fosse especial.
Para isso estavam agora os confrades sentados neste final de tarde, na beira da praia de frente para o mar, esperando o Geraldo para decidir como seria o cardápio. Pelo celular ela já tinha avisado entusiasmado como sempre, que tinha novidades.
Ao chegar ele foi logo dizendo:
- Já está escolhido, vamos comer fugu!!
- Fugu??!!! Responderam em coro os confrades.
- Sim fugu, não pode ter nada mais especial que isso.
Todo mundo ficou se olhando espantado.
- Eu não vou comer baiacu!!, protestou o Carlos.
- Como assim baiacu? Perguntou Felipe.
- Bom, é que no Japão o sashimi de baiacu é chamado de fugu, explicou Geraldo.
- Tô fora, baiacu não! Insistiu Carlos.
- Pô, não é baiacu, é fugu, o máximo da gastronomia japonesa. Se defendeu Geraldo.
Bom, a discussão se instalou, como seria natural, pelo veneno letal do peixe. Mas Geraldo, insistiu garantindo que conhecera um pescador de Brejatuba que além de saber cortar e retirar o veneno ainda habitualmente o comia com a família. Depois de muita argumentação todos concordaram que realmente seria algo especial comer sashimi de baiacu, aliás fugu, não sem antes irem conhecer e conversar com o tal pescador. E lá foram todos conhecer o Mestre Manoel, o especialista Guaratubense especialista em preparar baiacu.
No dia combinado lá estavam todos com suas domas impecáveis preparando as entradas e sobremesas já que o prato principal seria o velho e mirrado pescador que iria preparar.
Se ele é velho e costuma comer a perigosa e excitante iguaria, deve saber, senão já teria morrido, era o que repetia António brincando e provocando Carlos. Que ainda se mantinha em dúvida de encarar o desafio da tênue divisa da quantidade de veneno suficiente para provocar o formigamento e torpor da ponta língua e a morte por excesso de dosagem do veneno. Foi essa dúvida que o fez, antes de iniciar a refeição, fazer com que Pingo, o cachorro akita da sua mulher e que ele por acaso detestava, provasse o fugu. Claro, isso ele fez sem que ninguém percebesse. Muito menos a sua mulher. Como o Pingo agüentou bem e passou no teste, lá foi ele para a mesa.
A refeição foi um sucesso. O perigo da morte era algo presente e tornava mais excitante ainda o prazer de saborear algo diferente.
Agora, já no café e charutos todos comentavam o que sentiram durante a degustação do prato. O grau de formigamento da língua, os risos nervosos, o controle do medo enfim um conjunto de sensações novas para todos numa refeição. Estava tudo ótimo, quando de repente:
- Carlos, o Pingo morreu!!!!! Gritou altos brados lá de dentro a mulher do Carlos.
Todos pularam das cadeiras, alguns gritaram, Carlos se desesperou. Isto porque Carlos já tinha contado para muita diversão e riso de todos que antes de todos comerem tinha dado uma porção de fugu ao Pingo.
Quando Elisa entrou na sala chorando o que ela viu foi um ambiente de terror, gente gritando, outros pulando, outro desesperado tentando vomitar e Carlos agarrado à garganta se lamentando. Geraldo estava estático, branco e sem nenhuma reação.
Ela parou olhando para todos não entendendo o que estava acontecendo e assustada com a expressão de Carlos.
Felipe gritava que estavam todos mortos, que não há solução nem forma de eliminar o veneno. Alguém já se sentia mal e se deitava no chão, um outro tentava chamar alguém pelo celular. Elisa continuava sem entender nada e até tinha parado de chorar a morte do Pingo. Mas a sorte que ela gritou mais alto que todos e deu uma chacoalhada em Carlos para que ele explicasse o que estava acontecendo. Foi Geraldo quem explicou rapidamente que tinham comido baiacu, um à parte, o fugu já tinha passado a baiacu, e que para testar se a quantidade de veneno era letal, Carlos tinha dado uma porção ao Pingo antes de todos comerem. E como o Pingo tinha morrido todos iriam morrer também.
De imediato Elisa saiu dando tapas em Carlos.
- Seu cachorro, fazendo isso com Pingo coitado, canalha! continuava ela dando uns tapas em Carlos, bem feito para vocês, como puderam fazer isso. Nunca mais vou te perdoar Carlos, nunca imaginei que você detestasse tanto do Pingo!!!
- Calma, calma Elisa vamos ver como resolver o problema, gritou Geraldo, pára com isso.
Ela se acalmou, se sentou e voltou a chorar.
- Vocês fizeram isso com o Pingo e ele coitado morreu atropelado.
- ATROPELADO????? Gritaram todos.
- Sim, o portão estava aberto ele saiu correndo e foi atropelado por uma camionete.
Depois do silêncio geral que se instalou, ninguém conseguiu se mexer mais nos 10 minutos seguintes. Só Carlos saiu para resolver o problema do coitado do Pingo, ainda sem saber como convencer Elisa, que não detestava os infindáveis uivos do Pingo tanto assim, a ponto de usá-lo como cobaia.
Uma dúvida pairou, quando seria a próxima reunião da Confraria e qual o cardápio a ser escolhido. Tortulhos?
Ocin, o aprendiz de Chef.
Livre adaptação sobre um fato real parecido, ocorrido no final da década de 50 em Benguela, Angola e constantemente lembrado pelo meu pai no meio de muitas risadas.
Para quem não sabe tortulho é como é chamado em Portugal um tipo especial de cogumelos colhidos por especialistas para não serem confundidos com a espécie venenosa.
domingo, junho 28, 2009
À sombra de um Imbondeiro – Histórias do N’gola Kiluanje I
Muitos e muitos anos atrás, lá em Benguela minha terra natal, costumava acompanhar meu sábio e amigo avô Batista, conhecido na cidade pelo apelido de Tónio migo, nas suas lides diárias no ofício de trabalhar a madeira e nas entregas do resultado do seu trabalho. Achava muito interessante essas horas, pois ouvia com muita atenção as histórias que ele contava das suas experiências de uma vida intensa e em particular, eu dedicava especial interesse, quando ele compartilhava ou comigo ou com seus amigos e clientes, aliá, ele não tinha clientes mas amigos, sua experiência pela selva angolana. E invariavelmente nestes casos sempre se referia, ao velho N´gola Kiluanje, um sábio muito respeitado e sempre consultado pelos nativos das tribos vizinhas, que vivia isolado do mundo na anhara de Quilengues território dominado pelos leões. Só esse fato, já dava asas à minha imaginação e respeito a tal “makulo”!!! Agora imaginem como fiquei quando meu avô um dia me disse, hoje vamos a Quilengues! Sabia que sempre que ele ia a Quilengues passava na cubata isolada do velho sábio. Bom, não preciso nem dizer a ansiedade que tomou conta de mim naquele dia, não via a hora de voltarmos a Benguela e nos desviarmos para dentro da savana, apreciando com sorte alguns leões descansando na sombra das raras árvores, mas principalmente para eu finalmente conhecer tão importante figura. Se meu avô já era um sábio imagina como seria quem ele considerava o Xinganje mais sábio de Angola!!!!
Bom, mas vamos ao que interessa, desculpem, mas o acumulo de anos nos faz dar cada vez mais importância aos detalhes da vida e saborear os meandros mais escondidos da nossa memória, é isso que faz a diferença entre um velho conhecedor e um velho sábio e infortunadamente não nos apercebemos disso. O quanto é bom e proveitoso, transformar o poder do conhecimento acumulado mais que a maioria de nossos semelhantes em sabedoria tal qual uma brisa de fim de tarde de verão que nos envolve e acalenta sem forçar e sem se impor.
Ao chegarmos perto do imponente imbondeiro, rasgando o céu com seus galhos enormes e anárquicos, qual raízes querendo se agarrar na plenitude dos céus! Meu avô me sinalizou para que fizesse silêncio e me sentasse junto com os kandengues que já lá estavam tão absortos em ouvir o velho sábio que quase nem deram pela nossa chegada. N’gola Kiluanje, sentava encostado ao enorme tronco, de cócoras como sentam os africanos, e falava pausadamente, doce mas seguro e firme como deve ser a voz de um sábio, de um verdadeiro mestre da vida. Ele contava aos mais jovens com foi a criação das estações do ano. Nunca mais me esqueci do que ouvi e é isso que gostaria de compartilhar com vocês.
“No início do mundo Deus fez apenas duas estações do ano, tal qual o dia e a noite, o inverno e o verão, achava Deus na sua magnitude que seria suficiente, mas um fato inesperado fez Deus rever sua criação. Inverno e Verão começaram a disputar entre si qual deles seria a estação mais importante e a preferida do homem, pois foi essa a incumbência que lhes foi atribuída, Servir ao Homem e à Natureza. Chegaram os dois perante Deus reivindicando mais meses para cada estação além dos 6 que foi destinado a cada um. Deus perguntou-lhes, mas porque essa disputa? Vocês duas têm igual importância, estão questionando minha obra? Mas não houve argumentos que fizessem tanto o Inverno como Verão, desistir de querer provar a Deus a maior importância de cada um deles. Bom, mesmo já sabendo o desfecho de tudo Deus consentiu em realizar a disputa. Disse para elas, estão vendo aquele pequeno homem lá embaixo? Pois então, usem todos seus poderes e veremos quem, por si só fará do homem e da natureza à sua volta, feliz, realizado, vibrante, alimentado, dono de seu destino e utilizando plenamente os recursos que lhes concedi. O Inverno começou sua atuação, soprou um vento frio que fez o coitado do homem quase paralisar sua caminhada, apertar seu passo, se proteger com roupas pesadas mas mesmo assim continuou. Depois do vento, Inverno usou de todas as suas armas, chuva granizo, ventos mais fortes e fortes, nosso homem e a natureza à sua volta eram só destruição e enchente, e cada vez mais o Inverno, raivoso por não ver o homem nem a natureza satisfeitos, vinha forte e forte. Aí Deus disse, pare!!! Sua vez terminou. Verão vendo aquilo, achou que estava ganha a disputa, e veio com tudo, calor causticante, seca, plantas morrendo, a terra abria sulcos implorando por água, nosso coitado homem se arrastava sedento e delirante. Claro que no começo da ação do verão foi muito bom, depois de neve, enchentes, chuva e frio nada melhor que um vento quente, um calor revigorante e agradável, mas à medida que o verão se achava forte e seguro e usava de toda a sua força isso se tornava cada vez mais insuportável, até que Deus disse chega!!! Acabou sua vez Verão! Virando-se para os dois disse, viram seus orgulhosos? Se eu os fiz diferentes é para que usem suas forças de forma complementar, a Natureza e o homem precisam da integração das duas estações, precisamos ter a gama toda desde o mais frio do invernos até ao mais quente dos verões, sempre atuando num ciclo regular e contínuo de ação conjunta e terminando disse, como castigo vou dividir cada um de vocês em duas metades para que nunca mais sejam abruptos e radicais, passaram a existir também a primavera e o outono para que o ciclo da natureza se faça de forma suave e gradual.”
Bem, meus amigos, tenho quase certeza que o velho sábio descreveu esta parte da criação do mundo de maneira mais sábia, interessante e motivadora que eu, mas infelizmente ainda não atingi tal grau de sabedoria e foi apenas isso que ficou em minha memória.
Mas tudo isto me veio à memória ao perceber que em certas empresas não existe a diversidade que gera o dinamismo da inovação nem, no caso da diversidade de competências da equipe estar presente, unificar e direcionar essa diversidade, gerar a unidade na diversidade com foco no mercado, no cliente. Esse desafio de gerar a unidade é a parte mais importante do papel do empresário, do gestor, do líder do empreendedor. Como criar essa unidade de propósitos? Esse é o desafio de qualquer empresário, líder os gestor. Mas isso é assunto para outro dia.
Posso acrescentar também a questão interna, acho que é melhor deixar esta parte de baixo para outra oportunidade, o que vc acha?
Se também olharmos para o mercado com esses olhos da diversidade, como estamos tratando nosso cliente? Conhecemos seus sentimentos em relação aos nosso produtos e serviços?
Ocin, aprendiz de Xinganje