terça-feira, maio 26, 2015

INSÔNICRAS # 1243 “ATÉ QUE OS CANUDOS SE SEPAREM!”

INSÔNICRAS # 1243 “ATÉ QUE OS CANUDOS SE SEPAREM!”

Tu pedias coca e eu também, hamburger e eu também. Antes era lado a lado para o beijo rolar. Agora é frente a frente. Hoje resolvi voltar aqui, para tentar recordar. Tentar quebrar a monotonia e os silêncios cada vez mais longos entre nós. Até este lugar que sempre vinhamos, para comer bem juntinho ficou diferente. Agora as risadas e os beijos não existem mais soltas. São arrancadas e parecemos bons amigos que se acostumaram a viver juntos. Aquele bom dia com beijo virou um oi, tudo bem? O que se passou? Eu quero tudo de volta, por isso estou aqui. “Sei tudo que o amor é capaz de me dar” como diz o Roberto Carlos. Já tive, quero ter de volta. Olhando para ti, aqui na minha frente, vendo teus cabelos brancos aparecendo, sei que ainda te amo e és o homem da minha vida. Não sei como chegamos aqui.
Agora frente a frente. Agora tu pedes de limão e eu laranja. Tu com gelo e açúcar e eu sem açúcar. Antes conversavas comigo, agora só com o celular. O que mudou? Eu? Tu? Nós? Também me sinto presa a alguma coisa que não sei explicar, que me deixa parada, na frieza também. O que será que aconteceu? Mas ainda quero minha chama de volta, os carinhos, as conversas depois do sexo. Sei que é possível trazer isso de volta e vou tentar.

“Amor” Agora este amor, ficou mais frio, virou um João, ou um Jorge. “Hamm?” “Lembra quando a gente vinha aqui?”, “Sim lembro, porquê?”. Como porquê? “Nada”. ”Como nada Luiza? Se você perguntou é porque tem alguma coisa”. “Mudou bastante ... “, “Sim, as coisas ficam velhas, precisam ser trocadas ...”. Será que é isso, as coisas precisam ser trocadas? “O que você acha, Carlos, gostou como está agora?”, “O quê? A decoração? Achei bonita. Tudo tem que se adaptar, modernizar?”. “Concordo, nada fica como antes ...”. “Porquê tudo isso agora, Luiza, o que você está querendo dizer?”. “Nada, me lembrei, de quando a gente vinha aqui ...”. Esse silêncio que me mata. “Você não lembra?” “Sim lembro, era legal”. Sim era legal, não era só isso, era amor, paixão. Agora tu pedes risoto e eu salada. Até os canudos estão paralelos ...

INSÔNICRAS # 1234 UMA MÚSICA

INSÔNICRAS # 1234 UMA MÚSICA

Não me lembrava mais desta música. “Demorei muito pra te encontrar ..” engraçado, agora que o António postou e vendo os comentários, me lembrei de como foi marcante para mim. “ ... agora quero só você  ...”. Quanto eu desejava poder falar isso. Para mim já demorava muito para achar alguém. Aquele alguém com quem me encontrava em pensamento, ir de encontro a um abraço que me fizesse sentir coisas. “ ... será que é sonho meu...” sempre me perguntava. Não poderia ser apenas um sonho, essa pessoa tinha que existir. Até que parei “ ... de me preocupar ...”, deixei correr e fiquei nas lembranças e desejos, me conformei. Quase me apaixonei e senti algo grande, mas não era ainda o que buscava e achava que era o amor. Me quedei na minha solidão e me acostumei, mas “... tantas vezes que eu fiquei só, chorei, chorei ...”. Sempre retornava no dia seguinte à rotina em que me refugiei. A gente se acostuma e começa a achar que é assim, que o amor só existe para alguns, que alma gêmea é coisa de novela. Nós já nos tínhamos visto de passagem na empresa algumas vezes, trabalhávamos em filiais diferentes. Não lembro, mas acho até que trocámos algumas palavras, talvez um oi ou alguma pergunta, nas minhas visitas à filial. Até que sem querer, nos encontrámos lado a lado num treinamento. Algumas lembranças me vieram, muito tempo se passou. “Ah sim me lembro sim, eu ia no teu setor pegar meu material”. “Também lembro”. Ah tá, e por isso se ficou, mas algo não foi mais o mesmo. Como não percebi antes, humm interessante. Que pessoa sensível, como não tinha reparado antes, inteligente. Olha que sorriso lindo. Só isso. Nem reparei no seu pedido de amizade no face, aceitei como aceito normalmente todo mundo que pede. Quem é que está curtindo meus posts? Ahh já sei, nem tinha reparado. Nossa diferente na foto. Mais uma reunião juntos e o papo do cafezinho, de noite foi parar no chat do face. No outro dia, do face para o Whatsapp foi um pulinho. Humm ficar conversando uma hora no Whatsapp? “Meu pensamento voa de encontro ao teu, será que é sonho meu? ...”. De horas e dias no Whats foi pulou para um almoço, um lanche, um roçar de braços, de corpos, um beijo no estacionamento. Um abraço apertado. “Agora eu quero ir fundo  lá na emoção, mexer teu coração”. O salto foi dado, “... e todo mundo vê que eu quero só você..”. Esta música revela tudo, como não me lembrei antes. Deixa escutar de novo e de novo, não me canso, já devo ter escutado umas 6 vezes. Cada vez que escuto me lembro de mais um detalhe, como aquela tarde em que nos amámos, e senti “... coisas que não sei dizer ...” e só sinto com você...”. “Oi meu amor, acordei você com a música?”. “Não ... ah que música é essa que você não para de escutar?”. “É a música da nossa história”. “Mas não era aquela do Titãs?”. “Aquela é a nossa música, esta é a da nossa história”. “Então tá ...”. “Vem cá me beijar e amar, quero te dizer uma coisa, “demorei muito pra te encontrar, agora quero só você, ... , te abraço e sinto coisas!””, e o Fábio Jr continuou o refrão,
“ ... E todo mundo vê
Que eu quero só você
Só você
Eu quero só você
Só você
Eu quero só você..”
Inspirado na música “Só você, demorei muito para te encontrar”.
Obrigado Fábio Jr pela letra da sua música.

INSÔNICRAS # 325 ELE EXISTE?

INSÔNICRAS # 325 ELE EXISTE?


Ela acordou, viu as horas no celular, 3 e 33. Achou estranho a confluência de números e ser tão cedo ainda, tinha dormido tarde ontem, ops hoje já, há pouquinho tempo. Estava com fome, sempre lhe dava fome de madrugada, talvez por isso esses dois, não dois, uns três, ah tá 4 quilinhos a mais, apertou o pneuzinho do lado fez uma careta mas mesmo assim resolveu ir fazer um café e comer alguma coisa. Levantou de mansinho. No escuro. Só as luzes dos aparelhos e controles. Cada vez mais aparelhos e luzinhas temos nos vigiando na escuridão, bom assim dá uma referência para não pisar nas coisas largadas. Aii, quase machucou o pé na ponta do carregador caído do lado da cama. Já sentada na banqueta da cozinha, olhando as formas desordenadas da água absorvendo o pó de café e descendo no filtro, começou a pensar melhor, o cheirinho do café tinha despertado sua mente. No silêncio geral da casa, pode escutar o som baixo da geladeira, aquele barulhinho gostoso do café descendo e saborear um pouco de calma. Esse momento de silêncio geral a fez se escutar, são nas poucas horas que temos em que o silêncio de fora nos faz escutar os gritos interiores, ela não queria se escutar, mas não teve jeito, o momento exigia. O grito que sempre vinha de dentro e cada vez mais forte dizia, porque meus relacionamentos nunca dão certo? Bom, alguns não tive culpa, eles eram uns galinhas, o casamento e o quase casamento também não tinham condições de continuar, não dá para aguentar uma traição nem pegação no pé! Ciúme demais tô fora! Mas não consigo acertar, será que sou cega e me empolgo demais? Mas se vou com calma e não libero logo eles caem fora. Se vou logo não ligam de volta. Será que é verdade que eu meto medo? Não consigo entender, acho que é isso mesmo, os homens têm medo de mulheres fortes, só querem burrinha e mulherzinha. Hummm sou eu que assusto? Ou escolho errado? A Dani está certa sim, o bom é a paixão, aquelas borboletas na barriga, depois perde a graça, não existe o amor, só a paixão depois o tédio. Os casamentos continuam pela amizade e comodismo. É isso, tipo um picolé, depois canso, não aguento mais. Estou viciada na paixão virei caçadora. Será que estou assim? “Suzanaaaa, cadê você?” O silêncio foi cortado pelo grito dele chamando do quarto. Puta que pariu ela xingou baixinho! Tô aqui, ela respondeu. Vem aqui fazer uma conchinha, ele clamou. Que saco, ela pensou, viu só? Imagina se casar, não dá nem para tomar um café tranquila de madrugada. O café já tinha passado, ela levantou e se questionou. Será que termino agora ou invento uma desculpa qualquer, espero ele acordar e termino mais uma história de uma grande e eterna paixão quando ele for embora?

segunda-feira, julho 30, 2012

SONHAR, O GRANDE DESAFIO!

Escrito em 1994 mas atual.
SONHAR, O GRANDE DESAFIO.
     Quando a Ciência envereda por caminhos nada objetivos e formais.
     Por António A. B. Moreira. http://www.antonioabmoreira.com.br

         Hoje em dia é extremamente comum e se tornou um modismo até falar em coisas como:  sonho, usar o lado direito do cérebro, visão do futuro, criatividade, intuição, neurolingüística, etc. "E dai ? ", diria você, "num País como o Brasil isso não é surpresa nenhuma. Aqui você assiste ao Clero tradicional prestigiar cerimônias de religiões Afro com a maior tranqüilidade ou até pesssoas que freqüentam, sem conflito filosófico ou ético nenhum, vários tipo de Igrejas, Seitas, Gurus, etc...". Só Deus, realmente, para decifrar os caminhos que se usam para chegar até Ele! É, eu sei tudo isso. Hoje em dia se você não está por dentro nem do seu signo, você estará completamente excluido dos mais elementares grupos informais. E caso você seja solteiro(a), pior ainda, seu futuro como ser sociável está seriamente compromentido. Amigo(a), ainda é tempo de enveredar por esses temas chamados "esotéricos" ou "espiritualistas". Contudo, voltando ao assunto, a surpresa vem do fato de que os temas acima estarem sendo usados por Empresários, Administradores, Empresas de Treinamento, Consultores e pasmém, tudo isto também nos EUA! Realmente, hoje já é usual no mundo da administração você falar em Intuição, Visão, Sonhos, etc. Prestando atenção, você verá que várias empresas estão usando o "Sonho" como tema de suas campanhas motivadoras, tanto internas com externas. Poderemos citar como um dos grandes exemplos a G. E. com o seu "Dream it, Do it".

                Apesar da moda o assunto não é tão novo assim. Às vezes ele é chamado por outros nomes dependendo do autor. Eu, sinceramente, prefiro chamar de sonho mesmo. Isso resgata o meu passado de aluno desatento. Porque, quando o professor  me dava bronca por não prestar atenção à aula, e dizia que eu estava sonhando acordado, eu estava apenas me adiantando no tempo. Naqueles momentos sonhava com a minha colega do lado! Brincadeiras à parte, vários autores já vêm se referindo ao tema há bastante tempo. Em 1935 Napoleon Hill, ao estudar os milionários da época, descobriu a importância do pensamento. Ele sistematizou a forma de sonhar e pensar com sucesso nos livros "Pense e Enriqueça" e "A Lei do Triunfo". O Dr. David Schwartz em 59 editava o seu livro "A Mágica de Pensar Grande" onde também ressaltava o poder do indivíduo em criar o seu futuro através da força do pensamento. Conceito esse, desenvolvido mais recentemente no livro "A Mágica do Suce$$o" editado em 1.989. Durante a 2 a Grande Guerra o Dr. Frankl Victor verificou que aqueles seus companheiros judeus que conseguiram sobreviver ao inferno do campo de concentração, tinham uma grande visão ardente de um futuro que desejavam encontrar após a guerra. Todos eles chegaram a conclusões bastante parecidas, se resumindo em que, quando você crê ou sonha ardentemente, a mente acha meios de realizá-lo. Ou como diz Goethe, "Você pode fazer qualquer coisa que sonhar, é só ter coragem para começar". Podemos então dizer que a mágica do sucesso seria o poder de um sonho lícito. Começando por um sonho, o coração desejando ardentemente, passando pela mente ao acreditar que seja possível e terminando na ação dirigida, você terá comprovado o poder da "visão do desejo", a ferramenta que lhe permitirá criar a vida que você gostaria de ter. Não precisamos mais recorrer ao Tarot, aos búzios ou à sortista mais recomendada do bairro para saber o futuro. É simples. Hoje vivemos o que pensamos/sonhamos ontem, amanhã estaremos vivendo do jeito que pensamos/sonhamos hoje. Contudo, apesar deste processo ser simples, ele requer bastante trabalho, disciplina e um método adequado. Para sonhar corretamente temos, com toda a certeza, de seguir os conselhos de quem já estudou exaustivamente o assunto e seguir os modelos já comprovados de sucesso.

                 Podemos analisar o tema também sob a ótica Bíblica, e olhem que eu não sou nada especialista no assunto. O quartel dos bombeiros do lado da Igreja onde tive minhas aulas de catecismo era um atrativo mais forte que o estudo religioso. Mas, apesar disso, duas questões sempre me levaram a refletir bastante ao longo dos anos. As questões são: "E no príncipio era o verbo" e a afirmação de que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. Hoje creio pessoalmente que esse "Verbo" do princípio nada mais era que um Sonho Divino levado à ação. Sobre a segunda dúvida, a minha humilde opinião pessoal é de que a nossa semelhança com Deus se dá em três pontos: a capacidade de Sonhar/Pensar a única faculdade realmente livre que o ser humano possui, a capacidade de Realizar esse sonho e por último a que completa as outras duas, a capacidade de Amar. E a constatação da semelhança entre o ser humano e Deus, não se restringe apenas ao Velho Testamento, podemos encontrá-la também em muitas outras religiões ou civilizações.

                Para as organizações, as "palavras chave" de hoje são Qualidade, Comprometimento e Participação. Sem elas não haverá sobrevivência nos próximos anos. No lado individual é a qualidade de vida, é o comprometimento com a sociedade é a participação política que se busca. Mas, vamos nos deter a analisar estes conceitos. Eles têm muito a ver com o que estamos tratando aqui. Só se consegue qualidade com o comprometimento e a participação de todos. Acho que não há dúvida nenhuma em relação a isto. É elementar, que a qualidade dos produtos/serviços e a da organização como um todo se obtêm com a participação de cada um. E o comprometimento individual se atinge quando se deseja realmente a conquista do objetivo. Quando você sonha com a meta proposta, quando você realmente a deseja. Não é preciso fazer muita força para lembrar quanto o sonho e o desejo ardente de conquistar a primeira namorada(o) fizeram você suplantar imensos obstáculos. Pelo amor se fazem coisas nunca imaginadas.

                 Realmente é cada vez mais importante, e só assim se atingirá a qualidade, tanto a nível de vida individual como em qualquer agrupamento social, que se esteja lutando por um sonho, que você busque continuamente atingir os seus sonhos. Quando se luta por um sonho a vida torna-se uma festa, o sorriso permanece nos lábios, o suor do cansaço não pesa, tudo é motivo de orgulho. Além do que, quando você vai a caminho do seu sonho o Universo conspira a seu favor. Goethe dizia que "No momento em que nos compromissamos, a providência divina também se põe em movimento". Napoleon Hill estabeleceu este conceito a nível de grupo através da sua "Lei do Master Mind" dizendo que um espírito de inteligência e de ajuda, superior à soma dos esforços individuais, o "Master Mind" ou Mente Superior, se desenvolve por meio da cooperação harmoniosa entre duas ou mais pessoas que se aliam com o objetivo de realizar uma determinada missão. A chamada Sinergia se estabelece.

                Através da História os exemplos comprovam que o sucesso das Civilizações, dos Países, e das Organizações se atingiu quando o sonho individual se tornou um sonho comum ou o sonho individual fazia parte do sonho coletivo. O segredo dos grandes líderes foi tornar o seu sonho o sonho dos liderados. As grandes empresas surgiram do sonho ardente de um empreendedor/líder que aglutinou à volta do seu sonho outros que o seguiram, outros que se compromissaram em também atingi-lo. Este é o desafio da Administração ou de qualquer um que ocupe função de liderança, fazer com que o sonho da organização se torne também o sonho do indivíduo ou que o indivíduo realize o seu sonho com a realização do sonho da organização. Em suma, que o indivíduo também se comprometa com o objetivo da organização.Quando falamos aqui em organização estamos falando em empresa, mas poderiamos estar falando de qualquer outro tipo de organização ou grupo social, seja ele um simples time de futebol de bairro ou seja até a família.

                O poeta Fernado Pessoa disse um dia que "Navegar é preciso". Nada é mais atual, pois para navegarmos temos que ter um objetivo/porto a atingir. Para atingi-lo teremos que ter: uma rota a seguir, determinação e a tripulação estar comprometida em atingir o porto também. Portanto o sucesso será daqueles que conseguirem fazer do seu sonho o sonho dos outros. O grande desafio está lançado: "Sonhar também é preciso".

                                                                              SUCE$$J !  














segunda-feira, maio 17, 2010

Vamos comer Fugu?

A Confraria Gourmet, Amigos da Mesa estava completando um ano de existência. Foi no último verão que os doze amigos se mobilizaram pelo entusiasmo do Geraldo e resolveram formalizar uma Confraria Gourmet para dar continuidade aos encontros gastronômicos de todos os verões em Guaratuba. A mobilização entusiasta da diretoria levou todos a freqüentarem os cursos no Espaço Gourmet Gastronomia para que uma vez por mês fizessem seus encontros gastronômicos com muito estilo e requinte. As domas foram cuidadosamente escolhidas, os menus eram discutidos e selecionados para proporcionar a maior satisfação e prazer, desde a compra dos ingredientes no mercado municipal, passando pela cozinha com o afiar das facas, continuando pelo mise en place correto e limpo, a elaboração com a técnica recomendada e finalizando com o prazer de saborear os pratos acompanhados com vinhos escolhidos para harmonizar e realçar os diversos sabores dos pratos. Como não podia deixar de ser, para quem gostava, havia café, conhaque e os charutos no final.

Portanto não seria de estranhar que Geraldo, que foi escolhido o primeiro presidente por unanimidade, e não poderia ser diferente, estava empenhado que o cardápio do almoço comemorando o primeiro aniversário da Confraria fosse especial.

Para isso estavam agora os confrades sentados neste final de tarde, na beira da praia de frente para o mar, esperando o Geraldo para decidir como seria o cardápio. Pelo celular ela já tinha avisado entusiasmado como sempre, que tinha novidades.

Ao chegar ele foi logo dizendo:

- Já está escolhido, vamos comer fugu!!

- Fugu??!!! Responderam em coro os confrades.

- Sim fugu, não pode ter nada mais especial que isso.

Todo mundo ficou se olhando espantado.

- Eu não vou comer baiacu!!, protestou o Carlos.

- Como assim baiacu? Perguntou Felipe.

- Bom, é que no Japão o sashimi de baiacu é chamado de fugu, explicou Geraldo.

- Tô fora, baiacu não! Insistiu Carlos.

- Pô, não é baiacu, é fugu, o máximo da gastronomia japonesa. Se defendeu Geraldo.

Bom, a discussão se instalou, como seria natural, pelo veneno letal do peixe. Mas Geraldo, insistiu garantindo que conhecera um pescador de Brejatuba que além de saber cortar e retirar o veneno ainda habitualmente o comia com a família. Depois de muita argumentação todos concordaram que realmente seria algo especial comer sashimi de baiacu, aliás fugu, não sem antes irem conhecer e conversar com o tal pescador. E lá foram todos conhecer o Mestre Manoel, o especialista Guaratubense especialista em preparar baiacu.

No dia combinado lá estavam todos com suas domas impecáveis preparando as entradas e sobremesas já que o prato principal seria o velho e mirrado pescador que iria preparar.

Se ele é velho e costuma comer a perigosa e excitante iguaria, deve saber, senão já teria morrido, era o que repetia António brincando e provocando Carlos. Que ainda se mantinha em dúvida de encarar o desafio da tênue divisa da quantidade de veneno suficiente para provocar  o formigamento e torpor da ponta língua e a morte por excesso de dosagem do veneno. Foi essa dúvida que o fez, antes de iniciar a refeição, fazer com que Pingo, o cachorro akita da sua mulher e que ele por acaso detestava, provasse o fugu. Claro, isso ele fez sem que ninguém percebesse. Muito menos a sua mulher. Como o Pingo agüentou bem e passou no teste, lá foi ele para a mesa.

A refeição foi um sucesso. O perigo da morte era algo presente e tornava mais excitante ainda o prazer de saborear algo diferente.

Agora, já no café e charutos todos comentavam o que sentiram durante a degustação do prato. O grau de formigamento da língua, os risos nervosos, o controle do medo enfim um conjunto de sensações novas para todos numa refeição. Estava tudo ótimo, quando de repente:

- Carlos, o Pingo morreu!!!!! Gritou altos brados lá de dentro a mulher do Carlos.

Todos pularam das cadeiras, alguns gritaram, Carlos se desesperou. Isto porque Carlos já tinha contado para muita diversão e riso de todos que antes de todos comerem tinha dado uma porção de fugu ao Pingo.

Quando Elisa entrou na sala chorando o que ela viu foi um ambiente de terror, gente gritando, outros pulando, outro desesperado tentando vomitar e Carlos agarrado à garganta se lamentando. Geraldo estava estático, branco e sem nenhuma reação.

Ela parou olhando para todos não entendendo o que estava acontecendo e assustada com a expressão de Carlos.

Felipe gritava que estavam todos mortos, que não há solução nem forma de eliminar o veneno. Alguém já se sentia mal e se deitava no chão, um outro tentava chamar alguém pelo celular. Elisa continuava sem entender nada e até tinha parado de chorar a morte do Pingo. Mas a sorte que ela gritou mais alto que todos e deu uma chacoalhada em Carlos para que ele explicasse o que estava acontecendo. Foi Geraldo quem explicou rapidamente que tinham comido baiacu, um à parte, o fugu já tinha passado a baiacu, e que para testar se a quantidade de veneno era letal, Carlos tinha dado uma porção ao Pingo antes de todos comerem. E como o Pingo tinha morrido todos iriam morrer também.

De imediato Elisa saiu dando tapas em Carlos.

- Seu cachorro, fazendo isso com Pingo coitado, canalha! continuava ela dando uns tapas em Carlos, bem feito para vocês, como puderam fazer isso. Nunca mais vou te perdoar Carlos, nunca imaginei que você detestasse tanto do Pingo!!!

- Calma, calma Elisa vamos ver como resolver o problema, gritou Geraldo, pára com isso.

Ela se acalmou, se sentou e voltou a chorar.

- Vocês fizeram isso com o Pingo e ele coitado morreu atropelado.

- ATROPELADO????? Gritaram todos.

- Sim, o portão estava aberto ele saiu correndo e foi atropelado por uma camionete.

Depois do silêncio geral que se instalou, ninguém conseguiu se mexer mais nos 10 minutos seguintes. Só Carlos saiu para resolver o problema do coitado do Pingo, ainda sem saber como convencer Elisa, que não detestava os infindáveis uivos do Pingo tanto assim, a ponto de usá-lo como cobaia.

Uma dúvida pairou, quando seria a próxima reunião da Confraria e qual o cardápio a ser escolhido. Tortulhos?

 

Ocin, o aprendiz de Chef.

Livre adaptação sobre um fato real parecido, ocorrido no final da década de 50 em Benguela, Angola e constantemente lembrado pelo meu pai no meio de muitas risadas.

Para quem não sabe tortulho é como é chamado em Portugal um tipo especial de cogumelos colhidos por especialistas para não serem confundidos com a espécie venenosa.

 

domingo, junho 28, 2009

Histórias de África

À sombra de um Imbondeiro – Histórias do N’gola Kiluanje I

Muitos e muitos anos atrás, lá em Benguela minha terra natal, costumava acompanhar meu sábio e amigo avô Batista, conhecido na cidade pelo apelido de Tónio migo, nas suas lides diárias no ofício de trabalhar a madeira e nas entregas do resultado do seu trabalho. Achava muito interessante essas horas, pois ouvia com muita atenção as histórias que ele contava das suas experiências de uma vida intensa e em particular, eu dedicava especial interesse, quando ele compartilhava ou comigo ou com seus amigos e clientes, aliá, ele não tinha clientes mas amigos, sua experiência pela selva angolana. E invariavelmente nestes casos sempre se referia, ao velho N´gola Kiluanje, um sábio muito respeitado e sempre consultado pelos nativos das tribos vizinhas, que vivia isolado do mundo na anhara de Quilengues território dominado pelos leões. Só esse fato, já dava asas à minha imaginação e respeito a tal “makulo”!!! Agora imaginem como fiquei quando meu avô um dia me disse, hoje vamos a Quilengues! Sabia que sempre que ele ia a Quilengues passava na cubata isolada do velho sábio. Bom, não preciso nem dizer a ansiedade que tomou conta de mim naquele dia, não via a hora de voltarmos a Benguela e nos desviarmos para dentro da savana, apreciando com sorte alguns leões descansando na sombra das raras árvores, mas principalmente para eu finalmente conhecer tão importante figura. Se meu avô já era um sábio imagina como seria quem ele considerava o Xinganje mais sábio de Angola!!!!
Bom, mas vamos ao que interessa, desculpem, mas o acumulo de anos nos faz dar cada vez mais importância aos detalhes da vida e saborear os meandros mais escondidos da nossa memória, é isso que faz a diferença entre um velho conhecedor e um velho sábio e infortunadamente não nos apercebemos disso. O quanto é bom e proveitoso, transformar o poder do conhecimento acumulado mais que a maioria de nossos semelhantes em sabedoria tal qual uma brisa de fim de tarde de verão que nos envolve e acalenta sem forçar e sem se impor.
Ao chegarmos perto do imponente imbondeiro, rasgando o céu com seus galhos enormes e anárquicos, qual raízes querendo se agarrar na plenitude dos céus! Meu avô me sinalizou para que fizesse silêncio e me sentasse junto com os kandengues que já lá estavam tão absortos em ouvir o velho sábio que quase nem deram pela nossa chegada. N’gola Kiluanje, sentava encostado ao enorme tronco, de cócoras como sentam os africanos, e falava pausadamente, doce mas seguro e firme como deve ser a voz de um sábio, de um verdadeiro mestre da vida. Ele contava aos mais jovens com foi a criação das estações do ano. Nunca mais me esqueci do que ouvi e é isso que gostaria de compartilhar com vocês.
“No início do mundo Deus fez apenas duas estações do ano, tal qual o dia e a noite, o inverno e o verão, achava Deus na sua magnitude que seria suficiente, mas um fato inesperado fez Deus rever sua criação. Inverno e Verão começaram a disputar entre si qual deles seria a estação mais importante e a preferida do homem, pois foi essa a incumbência que lhes foi atribuída, Servir ao Homem e à Natureza. Chegaram os dois perante Deus reivindicando mais meses para cada estação além dos 6 que foi destinado a cada um. Deus perguntou-lhes, mas porque essa disputa? Vocês duas têm igual importância, estão questionando minha obra? Mas não houve argumentos que fizessem tanto o Inverno como Verão, desistir de querer provar a Deus a maior importância de cada um deles. Bom, mesmo já sabendo o desfecho de tudo Deus consentiu em realizar a disputa. Disse para elas, estão vendo aquele pequeno homem lá embaixo? Pois então, usem todos seus poderes e veremos quem, por si só fará do homem e da natureza à sua volta, feliz, realizado, vibrante, alimentado, dono de seu destino e utilizando plenamente os recursos que lhes concedi. O Inverno começou sua atuação, soprou um vento frio que fez o coitado do homem quase paralisar sua caminhada, apertar seu passo, se proteger com roupas pesadas mas mesmo assim continuou. Depois do vento, Inverno usou de todas as suas armas, chuva granizo, ventos mais fortes e fortes, nosso homem e a natureza à sua volta eram só destruição e enchente, e cada vez mais o Inverno, raivoso por não ver o homem nem a natureza satisfeitos, vinha forte e forte. Aí Deus disse, pare!!! Sua vez terminou. Verão vendo aquilo, achou que estava ganha a disputa, e veio com tudo, calor causticante, seca, plantas morrendo, a terra abria sulcos implorando por água, nosso coitado homem se arrastava sedento e delirante. Claro que no começo da ação do verão foi muito bom, depois de neve, enchentes, chuva e frio nada melhor que um vento quente, um calor revigorante e agradável, mas à medida que o verão se achava forte e seguro e usava de toda a sua força isso se tornava cada vez mais insuportável, até que Deus disse chega!!! Acabou sua vez Verão! Virando-se para os dois disse, viram seus orgulhosos? Se eu os fiz diferentes é para que usem suas forças de forma complementar, a Natureza e o homem precisam da integração das duas estações, precisamos ter a gama toda desde o mais frio do invernos até ao mais quente dos verões, sempre atuando num ciclo regular e contínuo de ação conjunta e terminando disse, como castigo vou dividir cada um de vocês em duas metades para que nunca mais sejam abruptos e radicais, passaram a existir também a primavera e o outono para que o ciclo da natureza se faça de forma suave e gradual.”
Bem, meus amigos, tenho quase certeza que o velho sábio descreveu esta parte da criação do mundo de maneira mais sábia, interessante e motivadora que eu, mas infelizmente ainda não atingi tal grau de sabedoria e foi apenas isso que ficou em minha memória.
Mas tudo isto me veio à memória ao perceber que em certas empresas não existe a diversidade que gera o dinamismo da inovação nem, no caso da diversidade de competências da equipe estar presente, unificar e direcionar essa diversidade, gerar a unidade na diversidade com foco no mercado, no cliente. Esse desafio de gerar a unidade é a parte mais importante do papel do empresário, do gestor, do líder do empreendedor. Como criar essa unidade de propósitos? Esse é o desafio de qualquer empresário, líder os gestor. Mas isso é assunto para outro dia.

Posso acrescentar também a questão interna, acho que é melhor deixar esta parte de baixo para outra oportunidade, o que vc acha?
Se também olharmos para o mercado com esses olhos da diversidade, como estamos tratando nosso cliente? Conhecemos seus sentimentos em relação aos nosso produtos e serviços?
Ocin, aprendiz de Xinganje

quinta-feira, novembro 07, 2002

Eu já estou "blogado" ! Ainda não para quê mas estou "State of Art" ! Brincadeira, sei muito bem o que fazer....me aguardem!
Que tal Montarmos uma história (roteiro ou mesmo conto) ?
Tchauuuuuuuuuu
Moreirada, já podem vir inaugurar o blog.